A Associação Mãe dos Extrativistas da RESEX de Canavieiras (AMEX) e a Rede de Mulheres foram selecionadas para desenvolver um projeto com a ONU Mulheres voltado à justiça climática e ao fortalecimento das mulheres extrativistas. A iniciativa busca promover soluções de adaptação às mudanças climáticas construídas a partir da realidade do território, dos saberes tradicionais e da participação comunitária.
Intitulado “Rede de Mulheres da RESEX de Canavieiras: Construção Participativa de Protocolo Comunitário de Adaptação com Perspectiva de Gênero”, o projeto tem como objetivo fortalecer as capacidades institucionais da AMEX e da Rede de Mulheres para enfrentar os desafios climáticos, ampliando a participação feminina na construção de respostas aos impactos que afetam as comunidades.
A proposta tem como eixo central a elaboração coletiva de um protocolo comunitário: um instrumento para orientar ações de adaptação às mudanças climáticas, considerando as necessidades, os conhecimentos e as prioridades das mulheres extrativistas. A perspectiva de gênero reconhece que esses impactos atingem mulheres e homens de formas diferentes e que as mulheres precisam participar das decisões sobre o futuro de seus territórios.
Mudanças climáticas e impactos nas comunidades
Nos últimos anos, o aumento da frequência e da intensidade das chuvas tem provocado enchentes recorrentes na região. Entre as consequências estão a contaminação das águas, a degradação dos ecossistemas e a mortandade de peixes, moluscos e crustáceos, comprometendo a produção pesqueira, a segurança alimentar e a renda das famílias extrativistas.
Esse cenário se soma a outras pressões sobre o território, como a poluição, a expansão da carcinicultura e a especulação imobiliária. Juntos, esses fatores ameaçam os ambientes naturais que sustentam a pesca artesanal e a mariscagem, atividades fundamentais para a vida e a economia das comunidades.
As mulheres extrativistas são especialmente afetadas por essas transformações. Além de desempenharem papel central na coleta de mariscos, na economia familiar e na segurança alimentar, enfrentam desigualdades no acesso às políticas públicas e aos espaços de decisão. Por isso, fortalecer sua organização e sua capacidade de incidência é parte essencial da construção de soluções climáticas no território.
Organização comunitária e protagonismo feminino
A iniciativa se apoia na trajetória de atuação da AMEX e da Rede de Mulheres, que, desde 2009, vêm fortalecendo a organização, a formação e a participação política das mulheres extrativistas. Essa experiência constitui uma base importante para a construção de um processo participativo, conectado às vivências e aos desafios das comunidades.
Com o projeto, as organizações buscam ampliar sua atuação em justiça climática e contribuir para que as mulheres tenham suas vozes, seus conhecimentos e suas propostas incorporados às estratégias de adaptação.
A seleção representa um passo importante para fortalecer a defesa do território e dos modos de vida tradicionais, com as mulheres extrativistas à frente da construção de respostas coletivas às mudanças climáticas.


